A MÍDIA DESACREDITADA PELOS BRASILEIROS

 



Mais uma vez, eu como profissional da área, corto em minha própria carne e exponho aspectos vexatórios inerentes ao desserviço que a mídia brasileira tem prestado nesses últimos 20 anos. Parece que nos deparamos com uma constatação a princípio pelo menos preocupante. Trata-se da evidente perda de credibilidade dos grandes conglomerados jornalísticos nacionais. Já houve tempos que a grande mídia fazia do brasileiro no tocante suas informações manipuladas, algo exatamente conforme mostrado na figura acima! E até hoje isso rola! 

Pois os grandes grupos de comunicação vêm prejudicando o país há tempos. Desinformam sistematicamente a população sobre os fatos externos e recortam pautas de acordo com seus financiadores ou ideologias. A forma de atuação da grande mídia é planejada, sistemática e tem funções muito claras. O uso de determinados termos, a intensidade de certas pautas e o recorte de temas influencia DIRETAMENTE a nossa vida quer você perceba ou não.

Quando se estuda e analisa a linguagem empregada no país, percebe-se a “posição sacerdotal” que a mídia quer ocupar. Isso mesmo! O adjetivo é sacerdotal mesmo porque a mídia ideológica adquiriu a pretensão de guiar as pessoas segundo o que acha certo ou errado. Há muito tempo ela deixou de informar e passou a manipular. E isso a meu ver é muito grave.
 

Tem sido cada vez mais comum no Brasil a presença de uma desconfiança em relação às informações e conteúdos trazidos pela grande mídia. Em pesquisa recente do Paraná Pesquisas, em parceria com o Data Poder, mais de 60% dos brasileiros afirmaram que não confiam na mídia tradicional e recorrem a sites, blogs e mídias alternativas. Isso acontece porque a maioria já não enxerga seus valores representados no trabalho dos profissionais de jornalismo em seus grandes meios de comunicação. 

Aliás, a maioria dos profissionais atuantes nos principais veículos jornalísticos do país, em geral, se colocam como arautos da imparcialidade. Dificilmente um jornalista vem a público e se confessa parcial, ou pior ainda, no caso das temáticas políticas, ou assevera estar posicionado em um lado específico e que isso possa de algum modo interferir nos conteúdos produzidos. 

O que ocorre, admitamos, é que os fatos apresentados nos materiais jornalísticos passam por filtros, ou pelos óculos, dos jornalistas e empresas de comunicação, os quais acabam por determinar a forma como chegam até o público. Assim, os noticiários, comentários, análises, interpretações, são moldados de acordo com a finalidade de atender da melhor forma possível aos interesses e anseios empresariais, comerciais, pessoais ou ideológicos dos produtores de informação. 

A novidade é que a população parece estar tendo agora maior capacidade de perceber como as coisas acontecem. E essa percepção pode ser notada com força nas eleições que foram concluídas no último dia 28 de outubro. Vale destacar que o vencedor da disputa pela presidência da república em 2018 contou com somente 8 segundos nos programas da propaganda gratuita obrigatória no rádio e TV. Isso nos leva a questionar a eficiência e eficácia desse tipo de mídia na atualidade. 

Mesmo com seu maior alcance territorial ou geográfico, meios de comunicação tradicionais como a televisão e o rádio, sem falar de jornais e revistas que já há algum tempo vem perdendo espaço e força, as redes sociais se estabeleceram na tal eleição como a grande fonte de informação, de discussão e debates, pelo menos nos centros urbanos, ou até em localidades mais afastadas em que pese o acesso precário à internet. 

Hoje fica muito difícil se esconder um fato da população, haja visto que esta tem em suas mãos um smartphone conectado às grandes redes e recebem a informação com imagens de forma bem mais rápida que a do Jornal Nacional, por exemplo. O ciberespaço entrou em um lugar antes ocupado por outros meios de comunicação e foi usado, podemos dizer, com sucesso por candidatos nas últimas eleições que possivelmente teriam muito menos votos do que tiveram caso não lhes fosse possível o acesso a esse tipo de mídia. Posso afirmar isso uma vez que nos meios tradicionais, sua participação era bastante restrita. 

Na minha opinião, isso não se deve apenas a uma questão tecnológica, mas também a perda de qualidade nos produtos jornalísticos da grande mídia. Muitas vezes por falhas grotescas na produção como pouca variedade de fontes de informação, apuração fraca e inconsistente, falta de aprofundamento e opção pela superficialidade etc., ou inobservância de princípios éticos deixados de lado para se priorizar a espetacularização, o sensacionalismo barato, a substituição da abordagem jornalística séria pelo enfoque muito mais de entretenimento, o fomento à polêmica inconsequente, tudo muito mais focado na busca por índices de audiência ou pela elevação da lucratividade empresarial. 

Termino dizendo que caso não recuperem logo a credibilidade perdida, os “deuses da grade mídia” não terão mais suas vozes ouvidas, se bem que as transformações parecem inevitáveis e a redefinição de papéis e dos lugares a serem ocupados e o ranking de importância se estabelecerá conforme novos critérios que ainda não sabemos quais serão... Ou sabemos? 

 

ERRY JUSTO - Jornalista


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